Capela de Nossa Senhora dos Mares da Lagoa

 

Essa Capela, dedicada a Nossa Senhora dos Mares, foi fundada, em 1768, pelo Marquês de Nisa, segundo versão do historiador baiano João da Silva Campos (Marcos do Passado, 1942). Fica no Centro Gerontológico (CGA) da 6ª Região Militar, de frente para o oceano, em Amaralina.

Silva Campos citou um relato de Borges de Barros (provavelmente o Visconde de Pedra Branca) em que, em 1768, o Marquês de Nisa teria mandado formar um tanque com as águas captadas nas encostas das elevações circunjacentes e fundar à sua margem um engenho e uma capela anexa à casa dominical.

A propriedade foi adquirida, em 1854, pelo historiador baiano José Alvares do Amaral. Mais na história de Amaralina

O monograma na parte de cima da fachada inclui as letras A e M de Ave Maria. Segundo Silva Campos, o altar-mor foi substituído, em 1928, por outro "mais artístico". Servia-lhe de retábulo uma belíssima tela do orago, obra de um pintor italiano "ali posta há perto de cem anos". Existiam duas imagem, em vulto, "de impecável acabamento", numa banqueta.

Silva Campos ainda citou que, no sobradinho, defronte da capela, existia um quadro representando uma puxada de rede de xaréus, que foi levado para o Rio de Janeiro e doado ao Museu Naval.

A festa da padroeira existe provavelmente desde o século 18. Silva Campos relatou que Alexandre Teotonio de Sousa, antigo morador da Fazenda Alagoa, adquirida em 1797, sacrificava todo ano uma escrava virgem para a Mãe d'Água, buscando melhorar sua pesca de xaréus e de baleias. Silva Campos citou ainda que a festa tinha arraial, procissão marítima, visita de ternos, ranchos de Reis e ocorria em janeiro.

Em reportagem ao Jornal da Bahia, em 1974, Alaíde Amaral (quase centenária), relatou que a tradicional festa era apinhada de gente. Eram realizadas novenas no mês de janeiro e uma grande banda de música acompanhava a procissão. A festa durava vários dias, com dezenas de ternos e ranchos desfilando. Tinha também a tradicional puxada de rede, acompanhada das cantigas dos pescadores.

Desde os anos '70, no segundo domingo de janeiro, um cortejo sai do Largo da Olaria, no Nordeste de Amaralina, levando presentes para Yemanjá até a Praia de Amaralina.

A lagoa que deu nome à Capela ficava atrás do  templo e foi aterrada nos anos '60. O tombamento do conjunto Casa e Capela foi analisado pelo Iphan, em 1966, mas foi indeferido.

 

Capela Lagoa

 

Amaralina

 

Entrada do CGA e a lateral da Capela vistas da Avenida Amaralina.

 

mapa

 

Igrejas Salvador

 

 

A Lenda de Pescador da Paróquia de Amaralina

Reproduzido de http://arquidiocesesalvador.org.br/site/?tag=paroquia-sao-jose-de-amaralina

Certo dia, alguns pescadores foram pescar em uma lagoa em frente ao Quartel de Amaralina, onde hoje se encontra um campo e pode-se encontrar também um canhão de memória do ponto do Quartel. Ao jogarem a rede apanharam uma imagem e, sem conhecer, deram o título de Nossa Senhora dos Mares e da Lagoa, que atualmente se encontra na paróquia São José de Amaralina.

Ao pegarem a imagem, os pescadores a levaram para a capelinha do Quartel de Amaralina, onde permaneceu guardada por alguns meses. Algum tempo depois, em alto mar, esses mesmos pescadores se depararam com uma grande tempestade, ventos fortes e o mar bastante agitado, colocando-os em apuros, com o risco de todos morrerem afogados. Em meio ao desespero e agonia, um dos pescadores (o mesmo que tinha apanhado a imagem de Nossa Senhora na lagoa), suplicou gritando: “Valei-me, Nossa Senhora dos Mares e da Lagoa!”. A esse clamor, conta-se que o mar se acalmou, o vento cessou e todos foram salvos. Considerou-se então, pelos pescadores, que foi um milagre concedido pela intercessão de Nossa Senhora dos Mares e da Lagoa.

Ao retornarem maravilhados com a experiência vivida em alto mar, salvos pela intercessão de Nossa Senhora, resolveram fazer promessas à Virgem e a levaram para a cabana dos pescadores que se encontrava na Colônia de Amaralina.

Depois de certo tempo de devoção e cuidado com a imagem, ela foi levada de volta para a Capelinha do Quartel de Amaralina, onde permaneceu guardada e protegida por um longo período, mantendo assim a devoção que era muito forte entre os pescadores da Colônia, que sempre rezavam aos pés da Virgem dos Mares e da Lagoa.

Após a criação da Paróquia São José de Amaralina [1966], em um acordo com a Capelinha do Quartel de Amaralina, a imagem foi entregue aos cuidados da Paróquia São José de Amaralina que propaga a devoção de Nossa Senhora dos Mares e da Lagoa.

Nota: a Paróquia São José de Amaralina foi criada em 20 de maio de 1966. Fica na rua Dr. Edgard Barros, em Amaralina. A Paróquia realiza a festa de Nossa Senhora dos Mares e da Lagoa, em setembro.

 

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A Capela de N.S. dos Mares da Lagoa, em 2016.

 

CGA

 

Altar da Capela de N.S. dos Mares da Lagoa, decorada para casamento (foto Bruno Heleno - brunoheleno.com.br).

 

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Por Jonildo Bacelar

 

Capela de Nossa Senhora dos Mares da Lagoa

 

Altar