Forte de São Pedro

 

Até o início do século 19, Salvador era uma das cidades mais bem fortificadas do mundo. A defesa da Capital da América Lusitana era de fundamental importância, principalmente depois da invasão holandesa, em 1624.

Após a reconquista da Cidade, em 1625, planejou-se a construção de um forte na colina da Capela de São Pedro, a igrejinha que caminhou para o Largo de São Pedro e hoje está na Piedade. Era um local estratégico, com excelente vista para a Baía de Todos os Santos, que ficava na retaguarda dos fortes da Barra, protegendo o acesso à Cidade, atual Centro Histórico.

Em 1627, o governador Diogo Luís de Oliveira mandou construir, no local, uma trincheira de terra, com 35 peças de artilharia. Em 1646, iniciou-se a construção do Forte, em alvenaria. As obras foram paralisadas, em 1650, e retomadas, em 1661, quando foi determinado que a portada, em madeira, seria substituída por outra de pedra e cal.

O século 18 começou com o Forte inacabado. Em 1712, o fosso foi concluído. As terras vizinhas da Roça do Carcereiro, de propriedade do sargento-mor Francisco Fernandes de Lima, foram desapropriadas e terraplenadas. Em 1714, determinou-se a construção da muralha. Em 1717, outras obras essenciais foram concluídas.

Em 12 de agosto de 1723, o Conde de Sabugosa, D. Vasco Fernandes César de Meneses, inaugurou o Forte de São Pedro. Uma lápide, em latim, colocada no portal de entrada, indica:

REGI OPTIMO MAXIMO JOANNI QUINTO, AD AETERNITATEM LUSITANIS NOMINIS NATO VASQUIUS FERNANDES CESAR DE MENESES SUPREMUS REGNI SIGNIFER ORIENTALIS ET DEIN BRASILIENSIS PRO-REX, IN CERTUM BELLO AC PACE MAJOR, ASIA AC AMERICA FELICIOR; HANC ARCEM VITRICIANIMO REDDIDT VALIDISSIMAM. ANNO DOMINI M.DCC.XXIII

Durante o século 18, o Forte foi usado como presídio e como academia militar. Abrigou uma das primeiras escolas de engenharia do Brasil. Esse curso de engenharia, chamado inicialmente de Aula de Fortificação e Artilharia, funcionou aqui de 1710 até 1829. Aqui formou-se o engenheiro baiano José Antônio Caldas, que também foi professor do curso até 1782.

O Forte de São Pedro fazia comunicação com o Forte de São Paulo da Gamboa, também construído no século 18. Eram ligados por trincheiras.

Em 1772, o Forte tinha 37 canhões e ponte levadiça. Em 1775, existiam 48 peças de artilharia.

Em 1817, esteve preso no Forte o pernambucano José Inácio de Abreu e Lima, futuro general de Simón Bolívar. Seu pai, o Padre Roma, fora executado no Campo da Pólvora, por participação na Revolução Pernambucana de 1817. Abreu e Lima fugiu do Forte, em outubro, e viajou clandestinamente para a Filadélfia, depois para a Grã-Colômbia.

O Forte de São Pedro abrigava outros presos da Revolução Pernambucana de 1817. Segundo Dias Tavares, em sua História da Bahia, tudo indica que existiram entendimentos desses presos com alguns conspiradores, que preparavam, na Bahia, um movimento contra a Coroa portuguesa. Esse movimento eclodiu em 10 de fevereiro de 1821, houve combate na Cidade, em que morreu o major Hermógenes Pantoja, que atuava contra o movimento. O governo da Bahia tornou-se instável e uma junta governativa provisória tomou posse na Câmara. Como consequência, Portugal enviou a Legião Constitucional Lusitana.

Em 1822, oficiais brasileiros, em oposição à nomeação do general Madeira de Melo para Governador das Armas, refugiaram-se no Forte de São Pedro, mas acabaram se rendendo. Nos meses seguintes, o Forte passou a ser um reduto de tropas portuguesas, durante a Guerra da Independência do Brasil. Os Portugueses foram finalmente expulsos da Bahia, em Dois de Julho de 1923.

Em 1837, foi o quartel-general da Sabinada.

Em 1877, a portada do Forte foi reformada.

Em 17 de novembro de 1899, no Forte de São Pedro, a República foi proclamada na Bahia, dois dias após a data oficial no Brasil, conforme registra uma lápide junto à portada.

De 1900 a 1905, parte da muralha e do fosso foram substituídos por um muro de contenção da Praça da Aclamação.

Em 1912, o Forte de São Pedro também foi usado no Bombardeio de Salvador.

Em 1957, foi tombado pelo Iphan.

Em 1961, o Forte ganhou uma garagem, uma caixa d'água elevada e o laboratório de análises bromatológicas. Um obelisco foi erguido junto às muralhas, em homenagem aos mortos na Guerra de Canudos.

Em 2 de julho de 1973, inaugurou-se, no Forte, a Exposição Nacional do Sesquicentenário da Independência.

Desde 1945, o Forte de São Pedro abriga uma organização militar voltada para o suprimento logístico do Exército, atualmente denominada de 6º DSUP (Depósito de Suprimento). Nos anos '60, o Forte abrigava um pequeno supermercado, com acesso ao público, embora continuasse como instalação militar.

Funciona também, no Forte, a 17ª Circunscrição do Serviço Militar (desde 1975), a Auditoria Militar, o Estabelecimento Regional de Finanças e o 19º Batalhão de Caçadores.

 

Forte de São Pedro

 

Portada do Forte de São Pedro, em frente à Praça da Aclamação.

 

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Muralha lateral do Forte, para a Rua Forte de São Pedro, com o obelisco em homenagem aos mortos na Guerra de Canudos.

 

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Vista aérea do Forte de São Pedro, junto à Praça da Aclamação (divulgação).

 

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Por Jonildo Bacelar